É só isso que parecem esperar de mim.
Só porque surgiram por aí uns boatos...
De que eu traí o Bentinho e coisa e tal...
Essas recalcadas que ficam cobiçando meus homens...
Espera!
Espera!
Eu disse “meus”?
Eu quis dizer "meu"...
MEU HOMEM!
Não me levem a mal, mulheres, mas não são todas que nascem
com a sedução de uma cigana.
Não vamos falar do passado mal resolvido, não é mesmo?
Pois bem, estou aqui para dizer que vim causar polêmica.
Uns dias atrás conheci um rapaz alto, esguio, mas com cara
de doente, deveria ter por volta de 50 anos. Isso mesmo: um cinquentão
interessante! Mas devo ressaltar que um pouco estranho e, infelizmente fumante.
Deve fazer a social com a galera no bar, certeza. Bom... Foi o que pareceu
quando vi algumas garrafas de bebidas no quarto dele. Pensando bem será que era
alcoólatra também?
As recalcadas já devem estar pensando:
“Olha só que abusada!”
“Entrou no quarto dele?”
“Que vagaba! Essa não presta!”
“Messalina!”
Mas não!
Para a tristeza dos rapazes, não teremos uma cena de sexo
selvagem com um estranho.
Notei o fato das garrafas quando passei em frente ao quarto
que ele havia alugado, meu novo vizinho.
Tem vários livros também, parece ser
culto.
Ainda não sei como se chama, deve ter um nome do tipo comum,
como John, ou Alfred, ou Cleidosvaldo...
O que foi?
Por que tá olhando com essa cara estranha para Cleidosvaldo?
Olha lá, de novo!
E para de imaginar alguém com esse nome...
Esse nome é para bolacha, biscoito...
Tenho certeza que você ficou confuso agora, mas qualquer dia
conto melhor essa historia.
Voltando ao vizinho misterioso: ele alugou também a sala de
estar que tem um sofá de dois lugares, uma poltrona de leitura, uma
escrivaninha bem antiga de madeira (que os pés estão um pouco judiados) e uma
pequena estante.
No segundo dia que passei pela sala, ela já estava
abarrotadas com livros dele e a dona da pensão pediu para não passarmos por lá,
pois o vizinho pediu privacidade. Mas é obvio que não escutei e ainda entro lá
com frequência para xeretar os livros.
Vários estão em Alemão. E eu não entendo patavinas do que
está escrito lá, mas aposto que vou encontrar algum livro que eu consiga ler.
Se não encontrar na sala, encontro no quarto dele.
Certeza que estão pensando besteira de novo...
Dessa vez você tem razão.
Vou entrar lá escondida, afinal as portas estão velhas e se abrem
com qualquer encontrão.
Estou ouvindo barulhos no corredor...
Ele chegou...
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CAPITU
Folheteen |






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