Nada é Permitido, Tudo é Verdade!

Se fosse perguntado a inúmeros filósofos desde os tempos mais longínquos aos mais contemporâneos a nós “Qual é o problema do mundo?”, certamente teríamos respostas completamente divergentes. Alguns diriam que “O homem é fruto de seu tempo!” e, portanto, algo como o inconsciente coletivo, ou o fantasma que assombra a Europa o Mundo, ou o que quer que o valha, é o que faz os homens pensarem e agirem como tais.

Ora, neste momento, então, seria válido um possível questionamento: em pleno ano de 2014, como podem as pessoas estar cada vez mais incomodadas com a questão da Alteridade? Do Diferente? Essa é a proposta que iremos investigar nos próximos parágrafos. E aqui, tal qual Nietzsche, não tenho compromisso com uma verdade que queira estar absoluta. Apresento-vos então minha perspectiva.



Dizer que é de hoje que convivemos com vários pensamentos diferentes seria um grande erro. Basta uma pesquisada no Google para ver conviver com outras culturas, povos, etnias e/ou formas de pensamento é quase tão antigo quanto a própria escrita. Mas isso não quer dizer que elas tenham sido pacíficas. Claro que não.

Sejam pertencentes a uma maioria ou a uma minoria, as pessoas nunca estiveram plenamente satisfeitas consigo mesmo. E com isso não me refiro a concentrações adiposas em lugares indesejados ou marcas de expressão que vão sendo cravadas na derme com o passar dos anos.

Me refiro ao fato de que as pessoas para terem seus desejos satisfeitos, qualquer que seja ele, precisa de todo um aparato para ter sucesso nessa empreitada, ideológico, principalmente. Quando este desejo é, por qualquer que seja o motivo, considerado indigno por uma outra parcela da sociedade, temos mais um empecilho para a satisfação do mesmo. É preciso convencer os outros de que o seu desejo deve, em ultima instância, ter o direito de ser desejado e de ser satisfeito (com o perdão da redundância).

Mas se pararmos para pensar: todo desejo deve ou precisa ser satisfeito? Todo desejo mesmo? Em absoluto? Acredito que a maioria responderá que não. Então é preciso um código para debater e chegar a um veredicto de quais desejos tem o direito de ser satisfeitos ou não. Mas por quanto tempo devemos manter o interesse nos desejos A em detrimento dos desejos B? E se amanhã os desejos B forem considerados certos e os desejos A, por consequência, errados? É preciso uma nova lei? Um novo estatuto?

Eu diria "Não!", com todas as letras. E por quê?

É preciso antes de tudo uma nova discussão. E aqui chegamos no principal ponto: é possível se discutir hoje em dia? Perceba, caro leitor, que tocamos em uma ferida. As pessoas não estão tão abertas à discussão tal como pensamos. Mesmo aquelas que se dizem defensoras de todos os lados. Em ano e época eleitoral então, nem me fale. O discurso do ódio predomina nas redes sociais e em qualquer outro meio midiático.

Vejamos o caso da torcedora e do goleiro do Grêmio. A garota cometeu um crime? Talvez. É difícil enquadrá-lo. O momento dificulta. É um ambiente em que os xingamentos são comuns, quase uma forma de extravasar. As mães dos juízes que nos digam... Mas (com certeza) estes ofenderam o goleiro. Algo deve ser feito. O quê? Botar fogo na casa da torcedora é que não. É como combater um crime com outro. E voltamos ao Código de Hamurábi: "Olho por olho, dente por dente!". Cabe à Justiça averiguar o ocorrido e punir quem deve sê-lo. Como dito no começo, não estou buscando uma verdade, mas um questionamento.

Falta diálogo. O discurso de "Somos todos iguais!" parece ser da boca pra fora. Somos iguais até que eu esteja envolvido ou que meus interesses estejam xeque. Assim fica fácil.

E se você disser: "Cada caso é um caso!" é por que está em cima do muro? Não. Significa que você é sensato o bastante para crer que um ideal absoluto e inalcançável tem o mesmo valor de um zero do lado esquerdo da vírgula.

Fica a reflexão: Está na hora de discutirmos os valores que temos como norte ou está na hora de valorizarmos a discussão? Pois se não for assim, ao invés da célebre frase do game Assassin's Creed: "Nada é verdade, tudo é permitido!" teremos uma sociedade onde nada é permitido, pois tudo é verdade.


Principalmente se convir.


(E ai de quem disser que não...)



PHYLOS, o Frei
Ponto e Contraponto







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