quinta-feira, 25 de junho de 2009


A COCA- COLA VIROU REFRESCO


A juventude foi seqüestrada pelo computador! Pode parecer um bom passatempo pra você, pode parecer conveniente para os pais, que iludem estar poupando os filhos da exposição nas ruas, da violência e loucura cada vez mais crescente. Pode, inclusive, parecer que o computador seja o lugar mais seguro de estar. Aos poucos estamos sabendo que não é, que dá acessos a lugares e pessoas que podem ser mal intencionadas. Mas não é nem isso que quero abordar, não falarei desses extremos de pedofilia, psicopatia, e nenhuma outra insana “ia”. Falarei apenas de uma coisa: onde você coloca o seu tempo? Onde você deixa que as horas escorram como se não fossem preciosas demais? Será que mais uma vez não será essa a geração da AÇÃO que tanto esperamos que nos salve, que nos recicle dos antigos paradigmas? Pasmar na frente do computador é coisa de inação, de paralisia, de engessamento de criatividade. Relutei, mas sou obrigada a declarar: a tecnologia, tão ovacionada, careteou o mundo! Eu sei, parece um contrasenso falar que esse glamour high tech é coisa mofada, mas o que percebo é que quanto mais veloz o seu computador se torna, mais devagar você fica. Quando o computador era movido “a manivela”, a gente desencanava logo dele e ia pedalar. Leva o falso nome de Avanço ou Progresso da Humanidade, mas de “humano” só vem perdendo. Tudo complô.
A era digital está acabando com as experiências pessoais. Vamos viajar... pelo Google Earth...vamos namorar na frente da internet, a meia luz de um monitor...hum, que romântico...vamos jogar futebol e engordar, soquear um adversário numa luta e não suar, bastar mexer o joystick que você conseguirá se movimentar feito um Guga numa partida de Tênis. Não parece um futuro aterrorizante perder as referências da Realidade? Vamos trair pelo chats de encontro. Hey, que equívoco, isso é exercitar a imaginação?
Sim, devemos ao menos admitir, que caminhamos para uma geração não-criativa. Evidentemente que não faço uma apologia a Pré-história, mas como já disse Victor Hugo (aí está uma pesquisa válida no Google) chega uma hora em que você tem que dizer “quem é o dono de quem”.
E sabe onde vai dar isso? Na escassez do novo, na falta de algo original. Os séculos passados foram bombardeados de gênios da Música e da Arte, e gênios são CRIADORES. Incomuns, eles bebiam em fontes frescas de conhecimento experimental, empirismo, recheado de sabores e sensações que o instigassem.
Nossa década, me parece, não produz nada novo, estupendo, desconcertantemente inusitado. Ficamos regurgitando os anos 60, 70 e 80.. Isso é como assistir o Especial do Roberto Carlos no final do ano. Ou como uma piada contada dez vezes, e já na quinta não tem mais graça. Ou como um plágio na Arte não revela nadica de nada. Enquanto você copia, nada se cria, não é mesmo? E quando se cria, leva o rótulo de “Cult” e as grandes massas não suportam! Estamos perdidos?
Engraçado é que se você não é absolutamente cibernético é acusado de ser retrógrado, atrasado, careta, mas eu acho justo o contrário. Acho covarde se esconder atrás de um monitor. Que o primeiro amor de um pré-adolescente seja uma heroína peituda que manuseia mil armas e é faixa preta em karatê. E os amores febris, corpóreos e belos e a brisa, a fragrância das flores e a água fria do mar?
A vida é um potencial latente em nós, basta que tenhamos uma existência autêntica. Vista-se agora, saia para caminhar na rua e pegar vento nos cabelos. Desentoca!

0 comentários: