
AOS ANÔNIMOS
A idéia mais comum quando imaginamos uma pessoa bem sucedida na vida é aquela que pratica algo e lucra financeiramente com isso. Mas suponhamos que você ganhe seu quinhão de sustento como bancário e nas horas vagas seja pintor. Ninguém compra as suas telas, mas o prazer é demasiado quando o vermelho mistura com o amarelo e vira laranja. Quantas vezes “desplugamos” de aptidões ou apenas hobbies pelo fato de não vislumbrar perspectivas estupendas de futuro naquilo. Porque você sempre quis ser pintor, mas é bancário. Sempre quis ser bailarino, mas trabalha na bolsa de valores. Escritor, mas é faxineiro. Enchemos a nossa vida de justificativas pragmáticas, porque aquilo de que gostamos não é promissor, ou pelo menos, aparentemente. Dessa forma, não vemos pra que fazê-lo. Nossa cabeça funciona como uma caixa registradora: “deixemos o prazer para lá, ele não dá dinheiro nem status”! Mas tem certos acordos que servem a nós e ninguém mais. O pintor é aquele que pinta, simples assim! Não precisaria de nenhum mérito, o prazer está na prática e pronto. Ninguém impediu Picasso ou Van Gogh. Um foi bem sucedido no mundo: fama, dinheiro no bolso e mulheres as pencas. O outro... ficou louco... e sem orelha! Mas o que nunca se disse é que o bálsamo da loucura de Van Gogh era a pintura, e não a causa da sua vida desordenada. Eram os momentos mais iluminados dele, um alívio no caos da realidade. Não sucumbia justamente porque praticava sua arte, por mais desencorajado que fosse, essa era uma necessidade vital que tinha: de pintar, de retratar aquilo que o coração agonizava. E mesmo não tendo retorno na vida prática, esse gênio de vanguarda, acessou a flama da inspiração e quando o fazia era feliz. Então, meu caro, a vida é uma aventura, não é uma equação lógica de déficits e superávits. Nem tudo é prestígio, sabe? Você deve ter a coragem de nunca renunciar as coisas que gosta por causa dessa ótica capitalista xiita de que o mundo anda padecendo, sempre com o objetivo prostituto de que tudo só vale se for para alcançar fortuna ou fama. Quer ser bailarina? Arrasta os móveis da sala aos sábados, aumenta o som e dance como se estivesse na companhia Bolshoi. Talvez um olheiro te descubra, talvez não, mas será bom de ambas as formas, não é? Entendi isso com muito sacrifício, sobre a escrita. Não tinha pra que escrever se ia mesmo engavetar depois, mas a satisfação era tamanha que ia além do meu ego e de sofrer passivamente achando que o anonimato era sinônimo de fracassar. Mas o fato inegável é que encontrava nas folhas brancas uma grande paz, minha catarse de sobrevivência. Percebi que era lucrativo pra mim, ponto final. Arrumei um emprego pra poder pagar as contas e comprar os livros que gostava e, sobretudo, parei de sofrer com a megalomania do premio Pulitzer ou Nobel. Porque toda atriz precisa ser Global, porque todo escritor precisa ser Nobel e porque todo cantor precisa ir onde o povo está? Acho que esse entendimento torna nobre qualquer coisa que se faça porque se faz por paixão e não por reconhecimento alheio. O que é verdadeiro é sempre uma semente que cresce, mas deve crescer espontaneamente, sem obsessão. E vai frutificar naturalmente, em muitos aspectos que não apenas ególatras. Quantos cantores de agora eram antes cantores de chuveiro e o fígaro-fígaro-fígaro era a desgraça dos vizinhos? A tal da Susan Boyle, descoberta aos 47 anos, cantava na igreja do pequeno vilarejo que morava. Certamente não tinha grandes pretensões, nem sequer desconfiava que seria esse fenômeno de mídia quando estava cantando, apenas amava cantar, vivia melhor se cantasse. Não se pode manipular a sorte, isso se chama “estrela”. Mas se acaso você não virar biografia ou filme, significa que deva renunciar seus prazeres? Antes de tudo, divirta-se, o resto é mera conseqüência. Por isso eu penso que os grandes sonhadores como Galileu ou Einstein foram antes de tudo leais com a prática dos seus deleites. E se passassem a vida inteira no anonimato, não iriam deixar de se deslumbrar com as estrelas. Ficaram na história porque foram uma descoberta da Humanidade e não porque eram marqueteiros. Einstein nunca achou que sua língua de fora seria pop. Anônimos do mundo, vamos nos divertir!
A idéia mais comum quando imaginamos uma pessoa bem sucedida na vida é aquela que pratica algo e lucra financeiramente com isso. Mas suponhamos que você ganhe seu quinhão de sustento como bancário e nas horas vagas seja pintor. Ninguém compra as suas telas, mas o prazer é demasiado quando o vermelho mistura com o amarelo e vira laranja. Quantas vezes “desplugamos” de aptidões ou apenas hobbies pelo fato de não vislumbrar perspectivas estupendas de futuro naquilo. Porque você sempre quis ser pintor, mas é bancário. Sempre quis ser bailarino, mas trabalha na bolsa de valores. Escritor, mas é faxineiro. Enchemos a nossa vida de justificativas pragmáticas, porque aquilo de que gostamos não é promissor, ou pelo menos, aparentemente. Dessa forma, não vemos pra que fazê-lo. Nossa cabeça funciona como uma caixa registradora: “deixemos o prazer para lá, ele não dá dinheiro nem status”! Mas tem certos acordos que servem a nós e ninguém mais. O pintor é aquele que pinta, simples assim! Não precisaria de nenhum mérito, o prazer está na prática e pronto. Ninguém impediu Picasso ou Van Gogh. Um foi bem sucedido no mundo: fama, dinheiro no bolso e mulheres as pencas. O outro... ficou louco... e sem orelha! Mas o que nunca se disse é que o bálsamo da loucura de Van Gogh era a pintura, e não a causa da sua vida desordenada. Eram os momentos mais iluminados dele, um alívio no caos da realidade. Não sucumbia justamente porque praticava sua arte, por mais desencorajado que fosse, essa era uma necessidade vital que tinha: de pintar, de retratar aquilo que o coração agonizava. E mesmo não tendo retorno na vida prática, esse gênio de vanguarda, acessou a flama da inspiração e quando o fazia era feliz. Então, meu caro, a vida é uma aventura, não é uma equação lógica de déficits e superávits. Nem tudo é prestígio, sabe? Você deve ter a coragem de nunca renunciar as coisas que gosta por causa dessa ótica capitalista xiita de que o mundo anda padecendo, sempre com o objetivo prostituto de que tudo só vale se for para alcançar fortuna ou fama. Quer ser bailarina? Arrasta os móveis da sala aos sábados, aumenta o som e dance como se estivesse na companhia Bolshoi. Talvez um olheiro te descubra, talvez não, mas será bom de ambas as formas, não é? Entendi isso com muito sacrifício, sobre a escrita. Não tinha pra que escrever se ia mesmo engavetar depois, mas a satisfação era tamanha que ia além do meu ego e de sofrer passivamente achando que o anonimato era sinônimo de fracassar. Mas o fato inegável é que encontrava nas folhas brancas uma grande paz, minha catarse de sobrevivência. Percebi que era lucrativo pra mim, ponto final. Arrumei um emprego pra poder pagar as contas e comprar os livros que gostava e, sobretudo, parei de sofrer com a megalomania do premio Pulitzer ou Nobel. Porque toda atriz precisa ser Global, porque todo escritor precisa ser Nobel e porque todo cantor precisa ir onde o povo está? Acho que esse entendimento torna nobre qualquer coisa que se faça porque se faz por paixão e não por reconhecimento alheio. O que é verdadeiro é sempre uma semente que cresce, mas deve crescer espontaneamente, sem obsessão. E vai frutificar naturalmente, em muitos aspectos que não apenas ególatras. Quantos cantores de agora eram antes cantores de chuveiro e o fígaro-fígaro-fígaro era a desgraça dos vizinhos? A tal da Susan Boyle, descoberta aos 47 anos, cantava na igreja do pequeno vilarejo que morava. Certamente não tinha grandes pretensões, nem sequer desconfiava que seria esse fenômeno de mídia quando estava cantando, apenas amava cantar, vivia melhor se cantasse. Não se pode manipular a sorte, isso se chama “estrela”. Mas se acaso você não virar biografia ou filme, significa que deva renunciar seus prazeres? Antes de tudo, divirta-se, o resto é mera conseqüência. Por isso eu penso que os grandes sonhadores como Galileu ou Einstein foram antes de tudo leais com a prática dos seus deleites. E se passassem a vida inteira no anonimato, não iriam deixar de se deslumbrar com as estrelas. Ficaram na história porque foram uma descoberta da Humanidade e não porque eram marqueteiros. Einstein nunca achou que sua língua de fora seria pop. Anônimos do mundo, vamos nos divertir!
0 comentários:
Postar um comentário